quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vellore - onde o sonho comanda a vida!

Incluímos a cidade de Vellore no nosso roteiro, não porque tenha uma grande oferta cultural, ou uma costa cheia de praias, ou montanhas para escalar, trilhos por descobrir… Não, aparentemente, é uma cidade sem nada de especial, não há turistas, aliás não há brancos (signifique lá o que isso significar!), não consta nos guias porque não oferece nada daquilo que os estrangeiros procuram na Índia (conceito ainda por definir!). Mas perguntem aos indianos! Perguntem às centenas de indianos, vindos de todo o país, que rumam a Vellore durante todo o ano, perguntem-lhes o que é que esta cidade tem de especial! E a resposta que vão ouvir é: “CMC – Christian Medical College”, uma das melhores faculdades de medicina do país e que está associada a um hospital muito conceituado com preços acessíveis à maioria dos cidadãos. Esta última parte é importante, porque a saúde na Índia paga-se e não é pouco, aliás sistemas nacionais de saúde como o nosso que é para todos e para mais alguns, isso é coisa rara e que devíamos estimar cada vez mais! Reflexões nacionais à parte, continuemos a história.

Fomos a Vellore para ver o hospital e a faculdade, e demos de caras com o sonho de 2 mulheres! Uma delas, há mais de 100 anos atrás, ouviu os gritos agudos de dor de 3 mulheres que na mesma noite morreram durante o trabalho de parto. Esta mulher, filha de um médico americano, missionário na Índia, cresceu em Vellore, mas sempre se recusou a seguir a carreira do pai, até àquela noite. Noite em que tudo mudou, noite em que do desespero nasceu o sonho de abrir a porta dos cuidados médicos a mais pessoas, mas mais… Ela sonhou mais! E sonhar mais é tão bom! Ela sonhou com um sítio em que mais sonhos como este fossem gerados, uma escola de saúde, uma faculdade de medicina e de enfermagem, mas com objectivo de formar profissionais indianos para os indianos. Ela sonhou com aquilo que nós vimos passados mais de 100 anos – CMC!

E está lá, está lá enorme e imponente, o hospital que começou no anexo da casa do pai dela, e que tinha só uma cama, está lá a maternidade que foi uma das primeiras daquele estado, está lá a unidade de cardiologia, a neurocirurgia, a unidade de transplantação, há de tudo e tal como ela sonhou, é feito pelos indianos para os indianos.

Mas há mais, ainda há o sonho da outra mulher, com o passar dos anos os médicos aperceberam-se que haviam doentes que não conseguiam pagar o preço (apesar de baixo) da consulta, das cirurgias e dos medicamentos. Era preciso arranjar uma solução para as 7000 pessoas que viviam nas barracas de Vellore, sem água, sem luz, e claro sem saúde! Então aqui nasceu o hospital comunitário, e segundo o director a definição deste hospital é simples:” CMC trata pobres e ricos, nós aqui só tratamos pobres!”.

Enquanto visitávamos as instalações deste hospital, o director foi-nos contando algumas histórias, como a da rapariga que tinha esquizofrenia e que por causa dos sintomas e da falta de tratamento e de dinheiro dos pais, foi trancada durante 10 anos num quarto. 10 anos a alucinar, a auto mutilar-se e a ser alvo de todo o preconceito que a doença mental provoca num mundo que transborda em crenças e crendices transcendentais. Isto acabou quando a equipa médica que faz os domicílios (é preciso que o médico vá a casa das pessoas quando elas são tão pobres que não conseguem pagar o transporte, ou quando são mulheres e têm de cuidar das crianças e da casa, ou quando são velhos e já não se podem mexer), quando eles foram abordados pelo pai da menina, um pai que já tinha gasto o dinheiro que tinha em curandeiros, mezinhas e medicamentos, um pai que pediu ajuda, e que mantinha a filha presa para ela não fugir, e em parte teria sido tão mais fácil para ele se ela tivesse fugido… Mas agora há esperança, uma esperança que veio em forma de injecção, porque ela recusou-se a tomar comprimidos, e passado pouco tempo a menina já era outra, já comia à mesa, já falava, e já não queria fugir.

Isto tudo porque o médico não está no seu consultório à espera do doente, da lista de queixas e de medicamentos que ele traz, mas aqui o médico mete o estetoscópio no bolso e vai à barraca! E este, este já é o sonho da outra mulher… ou da menina que sonhou ser médica onde fosse preciso para tratar quem mais precisasse.

Leitor imaginário, a Índia tem muito para ensinar e eu continuo a querer aprender!

Um abraço para todos os leitores que vão passando por aqui, espero que estes relatos vos lembrem e relembrem dos vossos sonhos, daqueles… vocês sabem quais são!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A caminho pela índia…

Foi com a mochila às costas e um bilhete de comboio no bolso que deixámos o centro que foi a nossa casa nas últimas semanas. O centro e as pessoas! E essas é que interessam, porque é delas que vamos ter saudades, das minhas “tias” e da aula de Inglês - Hindi em que sentadinhas em roda de perninhas à chinês aprenderam 5 perguntas em Inglês, os números, as cores, com jogos, com gargalhadas, com histórias da Bíblia, aprenderam elas e aprendi eu (e nunca mais me vou esquecer das lições que me ensinaram)!

Há vários momentos preciosos que vou guardar, a última aula, é de certeza um deles, comprámos um bolo de chocolate, grande e vistoso, um daqueles bolos de anos com flores de açúcar e enfeites de chantilly, para comemorar a última lição, para dizer: “gostamos muito de vocês!”. Em resposta houve muitos abraços, agradecimentos, fotografias, e a frase que mais me ficou na memória, foi quando uma delas me chama e a olhar bem nos meus olhos diz: “Prianka (um nome comum na Índia e que se tornou o meu novo nome), Prianka, I you love very much!” – um Inglês mal amanhado mas que encheu o meu dia, o que lhe faltou em gramática sobrou-lhe em ternura. Estou feliz! Uma felicidade sem arrepios, que em pouco ou nada se assemelha à felicidade que nos vendem na televisão, aquela que vem embrulhada em caras bonitas, corpos de ginásio, telemóveis topo de gama e umas quantas latas de cerveja, esta felicidade é mais parecida com aquela que o Mestre descreveu no monte, uma felicidade cheia de boas aventuras!

E é entre a Índia que já vimos e a que está por ver que entrámos no comboio rumo a Vellore, comprámos um bilhete de “gente fina”, numa cabine com ar condicionado e com lugar só para 4 passageiros; porque não havia bilhetes de “gente normal” disponíveis, daqueles com ar naturalmente quente e sem cabine. E a culpa é do Diwalli, o festival das luzes, uma celebração Hindu em honra de uma deusa qualquer, que dá direito a feriado e a férias escolares, logo toda a minha gente aproveita para passear e esgotar os bilhetes de comboio, o que vale é que quando toca a férias os ecuménicos é que ganham!

As 28h de viagem foram bastante engraçadas, a maior parte do tempo partilhámos a cabine com uma senhora e mais duas crianças que dividiram o tempo entre as brincadeiras, as birras, as lutas pelos lápis de cor… enfim, aventuras! A acrescentar à animação tivemos os variadíssimos vendedores de chocolates, garrafas de água, batatas fritas, gelados, chá que apareciam intermitentemente e sem qualquer regra. Aliás esta é, provavelmente, uma das características mais marcantes de países em desenvolvimento como a Índia, a falta de previsibilidade, aqui é difícil fazer planos, organizar, prever, porque tudo depende… Depende se chove, depende das marés (ai Guiné, Guiné), depende se há electricidade ou não, depende da vontade de quem manda, depende… Até beber água ou comer uma banana no comboio vai depender se o vendedor certo passa quando eu preciso, porque não há uma loja, não há um botão, não há um horário, nem sequer há uma ementa. Isto é, de certo modo, trágico porque impede o crescimento do país, mas por outro lado tem a sua piada, e se conseguirmos despir a nossa casca ocidental vamos conseguir também desfrutar da imprevisibilidade e da alegria de ver o homem do chá passar, precisamente quando nos apetece um chá! E se fizermos o esforço contínuo de entrar realmente no “espírito da Índia” e deixar de lado o ocidental que há em nós, aí sim vamos aproveitar a viagem e o comboio! E mesmo depois de ter dormido no comboio, desconfortável, numa caminha dura, e de ter visto 3 baratas a passear demasiado perto da minha cama, apesar disto fiquei contente quando vi passar o homenzinho a vender omeletas com pão, e continuei contente, quando descobri que a bela da omeleta, além de óleo com fartura, tinha malaguetas cortadinhas aos bocadinhos lá no meio, as quais retirei com cuidado de modo a poder comer o resto do pequeno-almoço com o chá que passou a seguir!

Leitor imaginário, no fundo, a Índia é assim, dá trabalho a tirar o picante, mas há muito para desfrutar, e agora só falta descobrir o que é que Vellore tem para ver!

Um abraço aos restantes leitores, espero que continuem a viajar connosco!

sábado, 5 de novembro de 2011

A viagem continua…

O nosso tempo em Bombaim acabou! Foram 2 meses. Inesquecíveis! Cheios de histórias e de aprendizagens, uma mistura de aventura e de peregrinação com uma montanha gigante de sentimentos atrelados. O que aprendemos aqui vai ficar guardado no coração (como ensina a história do Natal), contudo, muito provavelmente, só daqui a alguns meses é que teremos a consciência do tamanho da montanha que vamos ter de arrumar!

Tivemos a oportunidade rara de estar na Índia dos Indianos e não das agências de viagens e dos hotéis de luxo. Comemos à mesa deles, o arroz branco sem tempero, com dall (uma espécie de molho de lentilhas) e legumes picantes, todos os dias excepto ao domingo que é dia de comer frango (dia de festa!).

Andámos de transportes públicos como eles e com eles ao nosso colo, sem exagero nenhum, num daqueles triciclos motorizados onde cabem 7 passageiros, andámos quase sempre com cerca de 18-20 pessoas. No autocarro num banco de 2 vão 3, isto é de certeza e com sorte vão 4. E no comboio? Este é indescritível, vocês têm de experimentar! A viagem de comboio entre a cidade onde estávamos e Bombaim é de mais ou menos 1h45 min. A “piada” da viagem reside no facto do comboio ir tão cheio que as pessoas (incluindo nós) para conseguir entrar têm de usar a força, leia-se empurrar, dar uns quantos murros e nunca desistir de fazer força para a frente, porque enquanto uns estão lutar para entrar, outros estão a lutar para sair, e não, não há respeito, nem organização, nem filas… duas mãos a empurrar e para a frente é que é caminho!

A propósito desta “tradição” indiana, desenvolvemos uma estratégia de sobrevivência, o André vai à frente a empurrar e a abrir o caminho, eu fico atrás dele, a mala fica entre nós, e depois, com uma mão seguro na mala e com outra no André e aconteça o que acontecer nunca desisto de segurar nem uma coisa nem “outra”. Numa destas brincadeiras, uma vez a regressar de Bombaim, o comboio estava tão cheio que além de ter sido quase impossível entrar, no meio da confusão, não sei bem como senti o chinelo a saltar-me do pé. Nesse mesmo instante, olhei para trás e vi uma pequena multidão de gente, à minha frente uma grupo bem maior já dentro do comboio ao estilo das sardinhas enlatadas… a decisão era clara, ou volto para trás e tento encontrar o chinelo no meio daquela gente toda e claro, perco o comboio; ou empurro 3 ou 4 indianos entro no comboio e perco um chinelo… bom, chinelos há muitos! - já dizia o outro. E assim foi, entrei no comboio a abarrotar de gente, com um calor que não se podia e com um chinelo a menos… a Índia tem destas coisas! Depois fui para casa com o chinelo do André e ele foi descalço (velhos hábitos!).

Meios de locomoção e lentilhas à parte… O objectivo era conhecer a Índia sem maquilhagem, sem elefantes com desenhos cor de laranja e almofadinhas com lantejoulas, sem ar condicionado. E assim foi. Este tempo foi cheio de lutas, porque a Índia é quente e suja! Mas mais ela é muito mais! É cheia de histórias de injustiça e crueldade, algumas vocês ouviram outras ficarão para mais tarde, outras, ainda, continuarão dentro das casas e com a boca semicerrada em tom de resignação. Mas há mais! Há a resistência de um povo que tem pobres a mais, comida a menos, deuses a mais, esperança a menos, necessidades a mais, oportunidades a menos. No entanto, eles resistem… resignados mas persistentes. Como uma criança que leva porrada mas não chora, e não chora porque não pode, porque não deixam, mas se chorasse ninguém ouvia!

Nós ouvimos! Ouvimos o choro das meninas que vieram dos bordéis, das crianças que vieram da rua, dos sem abrigo, dos dependentes, das pessoas sem assistência médica acessível… ouvimos com ouvidos de ouvir. A maior parte do tempo, o nosso tamanho só nos permitiu ouvir e ajudar em pouco, resolver em menos, atenuar em alguma coisa. Mas guardámos! Guardamos as lágrimas deles e as nossas no coração e continuamos a aventura. A viagem agora prossegue, porque queremos ouvir mais, queremos conhecer mais, mais necessidades, mas também mais opções de ajuda, mais esperança! Então rumamos para sul…

Leitor imaginário, daqui até à próxima paragem são 28h de comboio, e já só tenho um par de chinelos!

Quanto aos outros leitores um abraço para vocês e obrigada pela companhia, gosto muito de vos ter por perto!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

a vida continua cheia de histórias...

Hoje trago-vos a história de uma menina bonita, 25 anos, alta, magrinha e com um olhar assustado… demasiado assustado.

A primeira vez que a vi disse-lhe “hello!” e ela nem olhou para mim, e claro, a minha reacção foi pedir à rapariga que estava ao meu lado para traduzir a saudação. Bom, a resposta obtida foi semelhante, mas desta vez veio com “legendas”: - “Ela é nova cá, não fala muito!”. Realmente, ela não falou, nem muito nem pouco, mas não foi difícil descobrir porquê. Voltou agora do hospital, esteve alguns meses lá. Está connosco aqui no centro há 1 dia! Porquê? (tenho de começar a ter cuidado com as perguntas). Fugiu do marido. Ele queimou-a na barriga com querosene. (silêncio… porque não soube o que pensar, quanto mais o que dizer). Nem sequer consigo imaginar a violência de ser torturada pelo próprio marido… e pergunto-me sobre o que terá acontecido a esta menina, onde é que a violência começou… até onde é que a ferida vai? Que marcas é que vai deixar?

De repente, cresce-me a vontade de agarrar nela, pô-la num bloco operatório e desinfectar, desbridar, escarafunchar, retirar a dor e o sofrimento, limpar as memórias, embrulhar o medo numa compressa e deitá-lo para o balde. E, no fim, fechar! Fechar as várias camadas com uma sutura bonita mas firme, agrafos na pele e um penso compressivo por cima. Agora, vai para casa com antibiótico e nolotil para as dores, ao fim de 8 dias volta cá, quero vê-la na consulta! Ai como eu gostava de tratar estas meninas assim, cirurgicamente, de maneira a resolver-lhes o problema, a limpar as feridas… mas não pode ser, há coisas que o bisturi eléctrico não resolve, muito menos eu, a jovem “mini – médica” que nem a língua dela fala e que nunca foi queimada por ninguém.

Orei por ela, honestamente, foi tudo o que fiz. Pedi a Deus que fizesse aquilo que não sei fazer, que a confortasse, que lhe trouxesse paz, aquela paz que excede todo o entendimento… a paz que sinto, quando a Índia é demasiado grande e eu demasiado mini!

E no dia seguinte, voltei a dizer “Hello!” e ela voltou a não responder, mas desta vez olhou para mim. Passou mais um dia, o “Hello” teimou em aparecer e fui surpreendida por um olhar com um sorriso ainda em esboço, mas um sorriso! No fim da semana, o “Hello” passou a ser respondido com outro “Hello” e o olhar assustado começou a ir embora e foi substituído por um sorriso bonito, ela ainda tem uma expressão séria na cara… mas atenuada, bastante mais leve do que no início! Há esperança!

Ontem amanheceu com febre, observei-a, auscultei uns pulmões muito doentes, uma tuberculose já em tratamento, que esperamos que responda aos antibióticos. Depois, no exame objectivo, seguiu-se o abdómen, e aqui houve relutância em levantar a camisola e mostrar uma barriga cheia de marcas, curada, mas com um rasto de violência difícil de esquecer. Palpei ao de leve, sem invadir, e mais uma vez chorei, por dentro, por ela… por elas! Pelas meninas que sem culpa são maltratadas, espancadas, queimadas, vendidas, abusadas, … e muitas delas nunca são ajudadas, muitas morrem sem voz, sem socorro!

E o que mais me deixa triste, mas uma tristeza a roçar a revolta, é a resignação. Estas meninas vivem conformadas com o que lhes calhou em sorte! Este povo vive resignado, eles não falam de injustiça, porque na verdade vêem-se a viver num mundo dividido em prateleiras, ou castas se preferirem, onde uns nasceram para procurar garrafas de plástico na lixeira e outros para serem doutores, uma ordem pré estabelecida e onde não há lugar para a injustiça! Neste caso, a religião é mesmo a força que mantém a ordem, as regras estão ditadas há séculos, não há direitos humanos, porque isto é “cada macaco no seu galho” e uns têm direito a uma vida confortável porque nasceram na família certa e outros terão direito a limpar os carris dos comboios e a viver nas estações, porque assim disseram os mais de 1000 deuses que por aqui levitam.

Talvez por isto, a pobreza na Índia seja tão violenta, porque está repleta de conformismo, não é só falta de dinheiro, de recursos, de limpeza, de estrutura, de ordem… é falta de esperança, é falta de acreditar que a vida pode ser diferente, é falta de… (respondam vocês).

Em parte, foi isto que encheu os corações dos homens e mulheres que, ao longo dos séculos, deixaram tudo para trás e viajaram para esta terra quente e suja. Vieram e na mala trouxeram mais do que medicamentos e material escolar, com eles veio a esperança do cristianismo, a que diz que todas as pessoas são iguais e merecem ser cuidadas e amadas e isto foi o que serviu de base para a ajuda aos pobres, aos órfãos, às viúvas, aos leprosos, aos que nem por justiça podiam gritar!

Muitos missionários depois e muito tempo depois, cometeram-se erros, construíram-se sonhos, mas a necessidade ainda existe e cresce com a população! Ainda há muitos que sofrem em silêncio e em resignação… e é por eles que estamos cá!

Leitor imaginário um abraço dos grandes!

Outros leitores que por coincidência ou intenção por aqui andam, um abraço também para vocês, cheio de vontade de vos fazer parte desta viagem e das reflexões que vêm atreladas a ela.

domingo, 9 de outubro de 2011

Já passou um mês…

A vida por aqui continua! Há dias lentos e lânguidos, preenchidos de lutas com a língua; com a cultura; com o picante que teima a aparecer no meu prato; com o suor que me escorre pela cara continuamente; com o lixo que está por todo o lado e cobre as ruas sem critério; com a tentativa, por vezes tão frustrada, de compreender as pessoas e de ser compreendida por elas… batalhas que produzem picos emocionais demasiado violentos para o meu paladar ocidental!

No entanto, há dias em que o sol brilha e brilha com vontade! Vontade de ser relevante, de fazer alguma coisa útil neste mundo tão caído e tão injusto! E são esses dias que trazem o alento que é preciso para resistir, e sim é mesmo disso que se trata, uma prova de resistência e das grandes… Tão grande que se não fossem os momentos em que o “sol” (se é que me faço entender) ilumina por fora e por dentro e traz a clareza e o quentinho necessários para continuar a correr, se não fossem essas alturas… não sei…

É um desses dias que vos trago hoje… um dia soalheiro e cheio de esperança!

Uma vez por semana vem um médico cá ao centro ver os doentes, uma espécie de médico de família, um senhor simpático, bonacheirão, com a paciência e a calma que os anos de prática clínica teimam em trazer. Vi os doentes com ele, entre um e outro explicou-me as manhas da casa, entre dentes fui ouvindo as histórias das tias: “- Esta tem HIV, está bem, está estável, tem os CD4 (as defesas) dentro do intervalo aceitável. – “E a carga viral?” (perguntei, eu, com a inocência que aprendi na faculdade) – “Não fazemos a carga viral, porque é muito caro…” (silêncio). Continuamos, desta vez com menos perguntas: “ - Aquela tem tuberculose multi-resistente (aquela que acabei de auscultar sem máscara e sem nenhum tipo de isolamento, valha-nos a BCG e as orações dos justos), esta não tem nada e só quer atenção”…

”- E aquela? É nova cá, não é?”

“-Sim, está cá há 2 dias, mas já a conheço há muitos anos, é acompanhada na nossa clínica na rua da prostituição de Bombaim, está aqui por que fugiu do dono … HIV e pneumonia. Um olhar assustado, mas com um nome bonito e com um significado diria até profético, diria mas não digo, porque não quero chocar ninguém! Chama-se Sonho! Sim, a menina que foi vendida pela família para a prostituição e que fugiu do dono aos 26 anos, chama-se Sonho! Aqui o sol brilha, porque ela já pode sonhar, porque já não pertence a nenhum dono, desculpem-me o pleonasmo, mas às vezes deixo-me levar… Fiquei contente, por poder ver isto…por poder auscultar não a pneumonia (porque disso também temos aí em casa), mas a liberdade, a liberdade de sonhar… e sorri-lhe! E a alegria aumentou quando no dia seguinte ela apareceu na minha aula de inglês e aprendemos a perguntar “How are you?” (Como estás) e é bom saber que ela agora pode responder com sinceridade: “I´m fine, thank you!” (Estou bem, obrigada).

Enquanto escrevo isto há outra história que me quer saltar pelos dedos, mas ficará para mais tarde…

Leitor imaginário, obrigada pela atenção, um abraço para ti!

Quantos aos outros que por aqui passam, espero que em parte a história da “Sonho” também vos ilumine o dia e vos ponha a sonhar…mas alto e longe, porque de mediocridade já temos a casa cheia.

Um abraço!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

3 Semanas depois…

Os dias aqui têm um ritmo diferente, a primeira semana durou uma eternidade. Os dias arrastaram-se e trouxeram com eles uma espécie de avalanche emocional com uma violência que não estava à espera. No entanto, apesar da tempestade e de umas quantas molhas (umas mais literais do que outras), a segunda semana começou e com ela germinou a rotina e alguma previsibilidade que trouxe um cheiro, muito suave ainda, de segurança.


E foi no meio da confusão, cada vez mais organizada, que fui decorando os nomes das pessoas (tarefa demasiado difícil, por vezes), fui também aprendendo duas ou três perguntas em Hindi, graças às minhas “tias” e à sua vontade de me verem a falar com e como elas, descobri onde são os sítios principais, aprendi um bocadinho da complexa organização social desta comunidade e decorei que ao domingo é dia de comer frango (durante a semana a ementa é vegetariana).


E sem dar por ela, a terceira semana apareceu e acabou, e agora já conheço as caras, mas a luta com os nomes continua; e agora até já percebo as piadas delas, mesmo não percebendo Hindi; agora descobri que sempre que utilizo uma ilustração prática para ensinar seja o que for elas ficam todas contentes, descobri que gostam dos meus jogos e que têm vontade de ouvir histórias da Bíblia… que bom!


Contudo, não é tudo bom, por aqui há coisas bastante difíceis… Há uns dias atrás uma das raparigas veio ter comigo, ela queria conversar! Fiquei contente, afinal foi para isto que viemos, para ouvir, para aconselhar, para ensinar, para aprender, para conhecer as pessoas. E ao longo da conversa fui-me sentido pequena… minúscula, tive muita vontade de me esconder debaixo da cama e de chamar alguém mais velho.


Ela tem cerca de 20 anos, está cá no centro há 6 meses, veio de longe, algures do sul da Índia, e foi num inglês sem gramática e sem flores que me contou que quando era pequena foi viver para casa do tio, porque o pai assinou um papel que dizia que ela passava a ser propriedade do tio (segundo ela, o pai foi forçado pelo tio a fazer isto…).


E, a partir desse momento ela passou a ser uma espécie de escrava em casa do tio, limpava a casa, cuidava dos bebés, fazia a comida e todos os dias massajava as pernas da tia durante duas horas… Nunca foi à escola, durante 12 anos foi escravizada e brutalmente espancada. Um dia tentou fugir! A tia adormeceu durante a massagem e ela correu para casa de uma vizinha que a recebeu e prometeu que a ia ajudar, mas depois apareceu o tio à procura dela e no meio de muita chapada e pontapé ela foi arrastada para casa! Ao chegar a casa, para a menina aprender a lição, o tio bateu-lhe com uma barra de ferro até lhe partir uma perna, depois esfaqueou-a no ombro e na mão (ela mostrou-me as cicatrizes). Por fim, depois de tamanha violência… mandou-a limpar a parede que estava cheia de sangue, nos dias 6 dias que se seguiram não lhe deram de comer e fecharam-na na casa de banho.


Ela conta que na noite do sexto dia estava totalmente desesperada e com vontade de morrer, sem forças… e que foi nessa altura que viu do outro lado da janela alguém ou algo que ela não sabe bem explicar mas que ela acredita que foi Deus e que lhe disse: “ não tenhas medo, não estás sozinha!”. A verdade é que no dia a seguir, subitamente, a tia abriu a porta e deu-lhe de comer. E, passado pouco tempo, o tio mandou-a trabalhar fora de casa, porque queria o dinheiro do ordenado dela para pagar a escola dos filhos. Neste novo emprego as pessoas perceberam que alguma coisa se passava e depois de ela contar a história dos últimos 12 anos, decidiram ajudá-la. Uma destas pessoas, conhecia o patrão do tio, então por coacção convenceram-no a deixá-la ir viver num abrigo de uma ONG cristã. E assim acabou o martírio desta menina, depois passado uns meses ela veio aqui para o centro, aqui vai ter mais oportunidade de estudar e de construir uma vida nova!


Percebem porque é que me senti pequena?


Ouvi, chorei por dentro (talvez um dia ganhe coragem para chorar por fora), falámos do futuro, dos sonhos, da vontade de aprender a ler (para poder ler a Bíblia) e acabámos com um abraço e oração…


Leitor imaginário, a vida por aqui é cheia de histórias, mas aqui a Cinderela não é uma história de embalar, espero que esta Cinderela nos acorde e nos torne mais despertos e prontos para as necessidades deste mundo.


Um abraço para todos!


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A aventura continua… por terras indianas

Os primeiros dias foram cheios de adaptações umas mais dolorosas do que outras,mas todas cheias de um encanto que não estava à espera de encontrar… um dia destes explico-vos isto melhor!


Começámos por perceber como é que o centro funciona, que actividades é que existem, quem é que é o responsável pelos vários departamentos e depois veio a pergunta essencial: “Então, onde é que podemos ajudar?” e a resposta veio rápida e certeira e num instante transformou- se em várias actividades e responsabilidades, afinal não viemos passear… Graças a Deus!


O André ficou com os rapazes que estão no programa de recuperação da toxicodependência, vai estar perto deles, vai aconselhá-los, e vai ensinar-lhes algumas competências pessoais e sociais usando princípios bíblicos (as famosas aulas do Desafio Jovem). Ah, e acrescentar a isto, ele também anda a pensar em construir um forno, para que se possa fazer pão aqui no centro e assim poupar dinheiro.


Eu, por outro lado, não fiquei com nenhuma área específica, eles pediram-me para dar as aulas de competências pessoais e de iniciação ao cristianismo às raparigas mais recentes no centro. Então todos os dias de manhã tenho um grupo bastante variado, composto por adolescentes que viviam na rua, órfãs, adolescentes que foram resgatadas dos bordéis e mulheres (entre os 25 e os 40 anos) que também vieram da prostituição forçada. E o objectivo é ajudá-las a compreender o cristianismo no meio de uma cultura que transborda deuses e altares, sem nunca o impingir, sem nunca forçar a fé, apenas explicar a mensagem e deixar a porta aberta. Isto tem sido espectacular, a maior parte das vezes falamos sobre amor, sobre aceitação, sobre a oportunidade de começar outra vez… Isto só por si é bom e é importante que todos nós nos sintamos amados e aceites, mas não se esqueçam que estas meninas e estas mulheres foram vendidas, rejeitadas, abandonadas, espancadas, violadas… sofreram uma infinidade de atrocidades. Esta realidade, aumenta em grande medida a necessidade de lhes ensinar que elas são preciosas, que elas são importantes, que elas são princesas! Houve uma aula em que falámos sobre a maneira como Deus nos vê, vocês deviam de ter visto a cara delas quando lhes disse que Deus quando olha para elas vê uma princesa… indescritível! No fundo, é por causa disto que estamos aqui, é por causa delas e deles, é numa tentativa de trazer justiça a este mundo caído.


Mas não acaba aqui, a seguir a esta aula, começa a aula de inglês das “tias”, as “tias” são as mulheres que vieram da prostituição forçada, umas fugiram outras foram compradas pelo centro, a maioria tem o corpo marcado pelos anos de escravatura, estão gastas, enrugadas, envelhecidas. Mas nem todas, há algumas que ainda são bonitas e cheias de juventude, mas todas sem excepção têm dificuldades de aprendizagem, nenhuma foi à escola, foram vendidas antes de terem essa oportunidade (silêncios… vários!). Então, para tentar resolver esta situação elas têm várias aulas, e a mim pediram-me para lhes ensinar inglês, mas só o elementar, mas avisaram-me que tinha de ser dinâmico, mesmo muito, como se fossem crianças, se não aborrecem-se e não aprendem! O desafio foi aceite, e as aulas começaram, mas fiz um negócio com as “tias”, eu ensino-lhes inglês e elas ensinam-me hindi… que maravilha! Sorriram e concordaram, ensinar alguma coisa a outros traz sempre auto estima, e isso é uma coisa que faz muita falta por estas bandas! Na primeira aula começámos com o “what is your name?”, mas primeiro elas ensinaram-me a pergunta em hindi... e a risota começou e só parou com o fim da aula, e vê-las rir encheu-me o coração! E pode parecer estranho, mas os sorrisos delas facilitaram a refeição que se seguiu, porque apesar da comida aqui ser demasiado (mesmo) picante para mim, vale a pena… e o meu aparelho digestivo há-de habituar-se…esperemos!


E isto é uma parte do que andamos a fazer por aqui… o resto fica para a próxima história!

Um abraço para todos!
Leitor imaginário, tu já sabes que para ti o abraço é sempre especial!

domingo, 18 de setembro de 2011

Dia 1_Em terras indianas…


O primeiro dia foi uma aventura em vários sentidos, chegámos ao aeroporto de Bombaim lá pelas 2h da manhã, mais mala, menos mala, mais um tapete preguiçoso (esta já vos contei), às 3h45 estávamos dentro do jipe que nos veio buscar.


E aqui começa o filme, um filme algures no meio das estradas de Bombaim onde não há lei e se houvesse já tinha levado uma data de mocadas, porque aqui, é um salve-se quem tiver o carro maior e mais rijo. Não há cá uma faixa para mim e outra para ti, ou o conceito do "contra-mão", nada disso, isto para a frente é que é caminho, se a estrada que vai no sentido contrário ao meu está livre, é fácil, passo para lá e quem vier depois que se desvie. Isto tudo com a banda sonora das buzinas dos carros, eles não apitam quando se zangam, eles apitam é para avisar que estão na estrada! E eu que sempre achei que os Portugueses tinham demasiada confiança a conduzir… Opah que meninos!


Fizemos 1h45 de caminho até ao centro onde vamos ficar, uns quantos buracos, uma cidade cuja pouca luz foi revelando uma correnteza de barracas, de edifícios velhos e sujos, mas também uns quantos prédios imponentes e cheios de ares ocidentais… O resto fica para mais tarde e com mais luz!


E lá chegámos ao centro (que por acaso é um sitio é espectacular), estava a chover e havia pouca luz e pouco inglês (e foi só o principio da aventura da comunicação), mas lá pelo meio percebi onde é que era o meu quarto e que o pequeno-almoço era dali a duas horas… que maravilha!


Bom, mal entrei no quarto, respirei fundo, preparada para o pior… bom, a única coisa que eu queria muito era que houvesse uma sanita, aquelas casas de banho turcas, leia-se aquelas do buraco no chão, são uma coisa que não me assiste! Mas, não é que, não só tenho uma casa de banho no quarto como tenho uma sanita que tem um rolo de papel higiénico lá pendurado, e mais… (isto já é a loucura!) tenho um autoclismo que realmente funciona. Passo a explicar o entusiasmo, é que na Guiné tinha uma sanita, mas o autoclismo verdadeiro era um baldinho que estava lá ao lado.


Mas há mais, muito mais, eu até tenho electricidade no quarto, bom… há uma altura do dia que não funciona, mas à noite há sempre, qual lanterna do telemóvel qual quê! E por fim, e isto é lindo… tenho um chuveiro, do qual desconfiei logo à partida, porque mal entrei na casa de banho vi um grande balde e um caneco, e pensei cá para mim : "Os banhos vão ser "Guiné like" como quem diz vais tomar banho à caneca de água fria e o chuveiro é só para enfeitar". Mas aprendi a minha lição – nunca desconfies de um chuveiro, olha que ele vinga-se! Ah pois, é que ele funciona na perfeição, mas a água é fria, o que na maioria das vezes não é nada mau, porque está mesmo muito calor, mas há dias que se fosse morninha até sabia bem!


Depois de ter levantado as mãozinhas para o céu e de ter agradecido por todas estas mordomias deitei-me, e quando estava finalmente a dormir o despertador tocou, porque eram horas do pequeno-almoço. Lá estávamos nós sentadinhos no refeitório, toda a gente a olhar para nós e a sorrir enquanto falavam entre eles numa língua totalmente enigmática – Hindi, uma língua que anda ali algures entre o chinês e o grego, é que não se percebe nada do que eles dizem! E eis que nos servem o pequeno almoço… um grande prato de massa com picante (é favor ler com entusiasmo). Bom, quem me conhece sabe que eu não gosto mesmo nada de picante e que o evito sempre que possível, mas desta vez somos convidados e a mim ensinaram-me que em casa dos outros é para comer o que nos dão até ao fim e com um sorriso. E assim foi, fiquei com a boca a arder nas 2 h que se seguiram… e foi só a primeira de muitas… a aventura gastronómica por aqui vai ser cheia de emoções fortes! Claro, que há que acrescentar que o André gostou imenso da refeição e que o sorriso dele era a sério!


O dia continuou e tivemos a oportunidade de conhecer o centro e algumas pessoas… o resto vai ficar para amanhã, assim como o resto das histórias…


Um beijinho para o leitor imaginário e para os que não são tão imaginários quanto isso!

sábado, 10 de setembro de 2011

Chegámos!


Estou na Índia!!


Até custa a acreditar… bom, a ideia foi ganhando forma quando no avião, em vez de uma sandes, nos serviram uma espécie de crepe com caril tão picante que até ardia. Mas, a realidade, a sério e às sérias, veio quando saímos do avião e foi como se tivéssemos entrado na zona das plantas tropicais da Estufa fria em Lisboa, isto é, pusemos os pés fora do avião e veio de lá "aquele bafo" que transbordava humidade e que nos transportou para a nossa realidade – Estamos na Índia!


E, porque é na Índia que estamos, nem ficámos chateados nem fizemos reclamações, com o facto de termos demorado mais de uma hora a "resgatar" as nossas malas do tapete, isto porque o dito tapete de 10 em 10 minutos "sofria dos nervos" e parava e depois recomeçava a rolar devagarinho até que paralisava outra vez…. A acrescentar à espera, tenho de vos contar um detalhe, daqueles que só vistos, então não é que cada vez que passava uma mala no tapete toda a minha gente estendia a mão e tocava na mala… só para fazer uma festinha!


E é assim…cá estou! E por aqui continuarei nos próximos dois meses e meio, eu e o meu futuro marido e mais recente membro desta aventura que tem sido a minha vida (revelações à parte, continuemos a história!).


Escolhemos viajar para Bombaim porque queríamos conhecer melhor e se possível ajudar numa ONG cristã que trabalha com o tráfico de mulheres para a prostituição, meninas que são vendidas pela família para serem escravas-prostitutas nos bordéis de Bombaim… meninas que são escravas! Mas que podem deixar de ser! Esta ONG compra as mulheres de volta (e de repente, parece que estamos a falar de mercadoria…) e devolve-lhes a liberdade, elas são recebidas numa quinta lindíssima onde têm a oportunidade de estudar (algumas nem sabem ler), reorganizar a vida, aprender um ofício, enfim recuperar duma vida cujo sofrimento nem sequer consigo imaginar!


Mas há mais… estas mulheres têm filhos nos bordéis, e uma vez nascidos lá, também eles são propriedade "privada", por isso, há uma parte do trabalho que é dedicado a estas crianças, assim podem estudar e sonhar com uma vida melhor. Depois, temos as crianças da rua, umas fugiram de casa, outras foram abandonadas… e também estas são acolhidas e trazidas para um mundo com mais esperança! A par do trabalho com as mulheres e crianças, também há um departamento que está ligado à toxicodependência e ao alcoolismo.


Em linhas gerais, este será o nosso itinerário em terras indianas… conhecer as necessidades desta cidade interminável e cheia de gente e supri-las sempre que nos for possível, com o nosso tempo, as nossas mãos e pés, com aquilo que sabemos fazer, com o que já experimentámos na vida, com o que temos, ou melhor... com o que somos!


Vamos ficar instalados na periferia de Bombaim, na tal quinta, onde funciona a ONG. Gostava muito de conseguir aceder frequentemente à internet, de modo a partilhar com vocês estas histórias e as que estão por vir, e assim vocês também podem vir e participar desta aventura! Na verdade, a aventura já começou há muito tempo, isto é só a continuação. Ou será a continuação de uma peregrinação? Acho, que esta resposta vai ficar para o fim…


Então…até à próxima história um abraço para todos e, claro, um muito especial para o leitor imaginário!