terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dia 29_ “top 10 de Bolama”

Ao reler algumas das coisas que fui escrevendo aqui no “tasco” (modo carinhoso de apelidar esta plataforma de comunicação) fiquei com a sensação de que quem leu as minhas histórias poderá ter ficado com a ideia de que tudo aqui é difícil, pesaroso e que vou todos os dias angustiada para a cama! Mas não! Por isso, e com o objectivo de repor a verdade e a justiça, hoje não vos trago uma história, mas várias. Hoje a nossa viagem é ao “top 10” cá da terra, as 10 maravilhas, aquilo que faz desta missão da AMI uma missão “muito bonita” citando uma grande autoridade em missões de desenvolvimento.

1. 1. 1. O céu! A sério é qualquer coisa de divino, há coisas que nem as fotografias podem testemunhar e as noites de lua cheia em Bolama são uma delas. A contemplação ganha pontos por aqui.

2. 2. 2. A rã que canta debaixo da minha janela todas as noites a horas incertas. Na primeira noite foi estranho, confesso… mas agora faz parte do encanto. Adormecer a ouvir a rã e o seu coral de insectos (cujo nome nunca aprendi) é melhor do que fazê-lo a ouvir as motas a acelerar na estrada ou a festa da vizinha que teima em pôr música brasileira.

3. 3 3. A cadeira do terraço! Virada para o mar que liga a ilha ao resto do mundo! É o melhor sítio da casa para ler, meditar, conversar, comer torradas… A calma desta terra é inexplicável, já há muito tempo que não estava num sítio assim, e gosto!

4. 4 4. Os fins de tarde no “Madana”. Bom, o Madana é o dono de uma “espécie” de café com esplanada que há aqui à frente de casa virado para o oceano, só vende bebidas e mancara (amendoim) ah e se avisarmos com tempo transforma-se no nosso restaurante de Domingo (o melhor desta terra é a flexibilidade). O processo é muito simples, basta-nos atravessar o campo de futebol e lá vai o Madana buscar uma mesa e algumas cadeiras – está montada a esplanada! Se por acaso tivermos vontade de comer alguma coisa para além da vasta oferta de amendoins, também não há problema, no outro dia levámos os chouriços e ele até emprestou o fogareiro e cedeu o carvão.

5. 5 5. Os livros e o tempo para os ler… maravilha! Sem electricidade e sem internet regulares o espaço para as leituras aumenta e isso, claramente, pertence a este top! Tenho lido a um ritmo alucinante, um livro por semana (é tão bom!). E ler, por aqui, também é uma actividade social, só é pena não haver jornais…isso seria perfeito!

6. . 6. A ilha das galinhas… adoro! Impossível de descrever…o céu estrelado, a praia, as viagens de barco, …, até as tempestades são bonitas (bom, quando estamos em terra e com um telhado por cima!).

7. 7. 7. A Fatu e o seu pudim. A Fatu é a senhora que trata da casa e que faz a comida (peixe, arroz, arroz, peixe, peixe, arroz, fruta pão, peixe, mais peixe, arroz, batatas, arroz e peixe. Ela cozinha muito bem apesar da “variedade”, e faz um Sr. Dr. Pudim de comer e de esquecer o peixe que se comeu… haja maneira de alienar as papilas gustativas!

8. 8. 8. Por falar em comida, não podia deixar de lado o “korn bife”, essa grande instituição da comida enlatada sedeada na Guiné-bissau. O que é? - Perguntam vocês. Bom, na verdade ninguém sabe! Aquilo tem uma galinha na lata, mas não sabe a frango, também não sei a que é que sabe… é qualquer coisa parecido com carne para barrar no pão, também se pode comer aos bocadinhos no … (adivinhem!) no… arroz!

9. 9. 9. O Mustafa, não, não é um vendedor de tapetes da Mouraria, é um dos trabalhadores da nossa equipa. É um Guineense no verdadeiro sentido da palavra, tem muita piada,11 filhos e óptimas histórias (umas mais fiáveis do que outras), a conversar com ele, entre o crioulo e o português, aprende-se muito e de tudo um pouco, no outro dia explicou-me o Islamismo visto da óptica do utilizador… muito interessante! Ah, e está a fazer o Ramadão… mesmo à risca!

10. 10. Cantar à mesa as músicas do Cércio (nome artístico)! Já me ri muito com as nossas tentativas (quase sempre frustradas) de cantar uma música com a letra e melodia correctas… quando não há entretenimento – inventa-se!

Gosto disto… (quase sempre)

Um abraço para quem está desse lado e deste lado (Leitor Imaginário…este és tu!).

domingo, 22 de agosto de 2010

Dia_20 “A vida é dura para quem é mole…”

O dia começou soalheiro numa tabanca chamada “Madina” e a D. Domingas foi ao mato buscar um legume para o almoço, nada de especial até aqui, a vida corria sem percalços, um dia normal na vida de uma mulher Guineense! Mas, e há sempre um mas… Há 4 espécies de cobras venenosas nesta região! Há muitas cobras na época das chuvas! Há mato! Há azar na vida… Há um pé que é mordido por uma cobra! Pede-se ajuda… liga-se para a AMI! Vamos a correr. A viagem de jipe parece interminável, tentamos definir um plano de acção para quando chegarmos ao destino não perdermos tempo.

Chegamos a Madina, toda a aldeia está em alvoroço, há olhos cheios de esperança, talvez “os brancos” tragam a solução… A senhora vem meio inconsciente, é trazida por 4 homens até nós, improvisa-se uma sala de cuidados intensivos na parte de trás do jipe. Há gente por todo o lado! Avaliam-se os sinais vitais… o pulso mal se sente! Entrou em choque! Ouvimos o batimento cardíaco ir embora… e levar com ele a esperança de ter sido uma cobra não venenosa. Não há nada a fazer! Fecham-se as pálpebras da senhora com respeito e olha-se para baixo… também não há nada a dizer! Inevitável! Toda a aldeia rompe em choro e ranger de dentes. O sofrimento, nesta terra, faz barulho, atira-se para o chão, não tem vergonha de chorar ou de perder a postura, por aqui borrar a maquilhagem não parece importar a quem perdeu “uma Domingas”.

Agora, é preciso levar o corpo para casa, o funeral ou o “toca-choro” como lhe chamam vai decorrer nos próximos dois dias. O jipe leva o corpo e a família que lá coube… eu vou a pé com outro membro da equipa! Caminhamos 20 minutos em silêncio! Nunca o silêncio foi tão confortável e apaziguador! Pelo caminho ouvem-se gritos de desespero, emoções sem filtro, toda a comunidade corre para consolar a família. À chegada resta-nos dizer “fizemos o que pudemos”…

A viagem para casa é também uma reflexão sobre a nossa insuficiência, passamos a vida a acreditar em super heróis, habituámo-nos a esperar que ao último minuto a princesa seja salva e o dragão morto… mas a realidade é outra! A vida é outra… é dura. Não há efeitos especiais, não há desenlaces de última hora. Não há heróis. A vida é dura e nós somos moles… molinhos, fazemos o nosso melhor, esforçamo-nos, lutamos, estudamos… mas a nossa insuficiência é avassaladora! Saber isto, ter consciência da nossa “moleza” ou da nossa consistência pode, por um lado, tornar-se libertador… é bom saber que não controlamos tudo, que nem tudo depende do nosso esforço! A humildade aproxima-se de formas estranhas…

Beijinhos aos leitores imaginários.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia_9 : O primeiro dia de consultas na Ilha das galinhas…venham daí!

Primeiro, um pequeno tour pela tabanca (leia-se aldeia), imaginem um povoado com muitas palhotas, muitas crianças a brincar na rua e, como não podia deixar de ser, muitos animais “domésticos” soltos. Bom…um “doméstico” dentro do género, claramente, não eram peixinhos dourados, caniches encaracolados ou hamsters a correr em rodas gigantes, nesta terra as coisas têm de ter uma utilidade e enfeitar não é uma categoria a preencher! Deixemos as explicações antropológicas e passemos às “ruas” da ilha, ora, a pastar, roer, esgravatar, vemos cabras, galinhas, porcos, vacas, alegremente soltos e à solta, sem eira nem beira…bom para eles, péssimo para a saúde!

Ups, pois é, estamos aqui para saber como correram as consultas na ilha das galinhas! Começámos às 9h acabámos às 15h, neste intervalo o meu crioulo cresceu exponencialmente (ah pois, uma pessoa tem de se adaptar! E cá em casa há um livro de iniciação ao Crioulo da Guiné que já li até ao fim e fiz os exercícios!). Entre frases mal compreendidas, feridas infectadas, auscultações com “fôlego fundo” e muitos acenares de cabeça lá se diagnosticaram e trataram as pessoas com a acuidade possível num “mundo” sem raio x, sem hemograma, sem ecografia. Neste “mundo” há poucas certezas, faz-se o que se pode com o que se tem, improvisa-se o resto… Será viral? Bacteriano? Agudo? Crónico? Não sei… trata-se o mais provável e o potencialmente fatal e fica-se por aí!

Por falar em fatal, a história fatídica que vos trago hoje é a de um rapazinho que nos apareceu, no segundo dia de consultas, com um quadro clínico de meningite bacteriana, exactamente como vem descrito nos livros, sem espaço para dúvidas nem no diagnóstico nem no tratamento. Solução : iniciar a antibioterapia e enviar para o hospital de Bolama o mais rápido possível (porque a nossa unidade de saúde tem uma cama, uma secretária e duas cadeiras), como íamos voltar para Bolama no dia seguinte oferecemo-nos para evacuar a criança mais a mãe – problema resolvido, morte evitável! Como é bom ter soluções de vez em quando!

No dia seguinte, preparámos tudo para zarpar (olha só o vocabulário marítimo!), canoa cheia, belo dia de sol, vontade de não apanhar Marão outra vez…E o miúdo? Onde está o miúdo? Esperámos 1h… o enfermeiro da equipa foi à tabanca a casa da criança… não estava lá! E então? Um vizinho, com pena de nós, lá nos disse que a mãe decidiu levar o menino ao curandeiro e que já não ia para o hospital! Bom… pelos vistos ter soluções não basta! Para esta criança não bastou! É claro que para as outras crianças que receberam tratamento para a amigdalite, pneumonia, dermatite, etc., para essas as nossas soluções foram boas e valeu a pena termos vindo… Mas! (silêncio e vontade de dar uns murros em alguém).
Apesar de tudo, há esperança e, por vezes, os sinais dela aparecem inesperadamente, numa viagem de mota entre uma tabanca e outra, reparei que na ilha das Galinhas (pelo menos, no que vi e acho que vi quase tudo!) há apenas 3 edifícios dignos desse nome (leia-se com tijolos e telhas!) um é a igreja evangélica e os outros dois são as escolas da mesma igreja! Isto despertou a minha “curiosidade protestante” e eis que descobri que não só a igreja faz um excelente trabalho na educação como também investe nas vias de comunicação, pois tem a única canoa pública que faz a travessia da ilha para Bissau. Esperança!

Por hoje é tudo, vou continuar por cá… a aprender a ser médica e a ser gente.
Um abraço aos leitores imaginários e aos que gostam de imaginar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dia_8

O primeiro “cagaço” na Guiné!

Começo por pedir desculpa pela rudeza da expressão entre aspeada, mas tinha de ser, qualquer outra palavra não faria justiça ao acontecimento em causa!
Tudo começou numa bela manhã de sol, enchemos a canoa com tudo e mais alguma coisa para levar numa viagem de 3 dias à ilha das galinhas, onde vamos uma vez por mês prestar assistência médica. Quando aqui se lê “tudo e mais alguma coisa”, leia-se: colchões, uma mota, caixas com medicamentos, malas e mais malas…e nós, os AMI´s!
De Bolama às Galinhas são cerca de 2h de canoa…bom, nós levámos 5h… lá para o meio da viagem começou a chover, e a palavra Marão passou a ouvir-se demasiadas vezes por minuto…Bom, a minha inconsciência e o gosto que desenvolvi pelos barcos nas poucas aulas de vela que tive, levaram-me a não dar importância ao tamanho das ondas e ao modo pouco harmonioso com que estávamos a andar, confesso que estava a gostar imenso da viagem, da velocidade, do vento… da adrenalina! Às tantas ouve-se um estrondo e paramos… no meio do oceano, parados, com um temporal à volta… (muito bom!) O que é que aconteceu? Encalhámos num banco de areia… a maré estava a vazar. Saltam duas pessoas para fora do barco e toca de empurrar… surreal… a chover torrencialmente, ondas gigantes…muita água dentro e fora do barco! Conseguiram! Desencalhámos! E aqui comecei a preocupar-me! Estava sentada numa das bordas do barco com uma vista privilegiada para o “ecran principal”. As ondas cada vez mais ameaçadoras, o barco a abanar tipo folha de papel ao vento, a chuva que não parava, um silêncio ensurdecedor na tripulação, um pensamento na minha cabeça : “se escorregar ao menos que seja para dentro da canoa!” … depois houve ali uma altura que deixei de pensar… havia demasiadas ondas a baterem-me na cara e demasiada água dentro do barco! Mas… sobrevivi para contar a história! Ufas! Chegámos ao destino! Como a viagem foi muito longa, a maré já tinha vazado e o barco não pôde atracar na praia, então toca a andar no lodo de mochila às costas…a chover como se não houvesse amanhã, mas com os pés em terra firme (quer dizer… era lodo, enterrei os pés umas quantas vezes!).
Lá está, quem anda à chuva molha-se… quem vem à Guiné apanha um “cagaço”! Espero que um seja suficiente! Por estas bandas a expressão “viver no limite” não serve para vender telemóveis nem latas de coca-cola, traduz o dia-a-dia das pessoas… A vida por aqui tem um valor diferente – mais barato… tudo é precário. E o que eu tive foi azar, mas o que o resto destas pessoas vivem todos os dias é … normal… é a vida!

Hoje não há piadas… às vezes não há humor que chegue para puxar o lustro às histórias sérias!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia_5

Bissau & a corte portuguesa

Voltámos a Bissau, vamos ficar até sábado. Estar pela primeira vez num sítio aguça-nos os sentidos… é delicioso!

Dou comigo atenta, desperta e de olhos bem abertos para tudo o que se passa à minha volta, talvez por isso, esta estadia em Bissau esteja a ser tão interessante. E há detalhes muito engraçados por aqui!

Por exemplo, em Bissau junta-se a “corte portuguesa” residente na Guiné, ele é ONG´s de tudo e mais alguma coisa, pessoal da embaixada, união europeia, nações unidas, e a malta junta-se nos 2 ou 3 restaurantes portugueses que existem e toda a gente se conhece, é uma espécie de “micro clima” étnico onde se fala português e se come bife de vaca (ah pois, ontem foi certinho!).

À noite, fui a uma festa de despedida de um rapaz que vai voltar para Portugal, bom… nunca o tinha visto só sei que trabalha na ONU, mas sem stress! Festa é Festa e Tugas são Tugas…então como o pessoal ia, fomos todos… colei-me!! Comida boa, música para dançar…maravilha!! Montes de gente interessante, ah e tal o que é que estás a fazer na Guiné? Ah, trabalho na embaixada! Ah, sou conselheiro de política internacional! Ah, sou coordenador do projecto XPTO de desenvolvimento comunitário! A sério, há por aí gente a fazer coisas muito relevantes. Bom, também apanhei secas, daquelas do: - ah o meu pai é mesmo rico e importante e eu estudei na Suécia e tenho isto e aquilo e sou o maior da minha aldeia e tenho uns calções vermelhos ridículos (10 min. de conversa puramente demagógica sobre a politica na Guiné) : ” desculpa, mas tenho de ir à casa de banho… (para nunca mais voltar)”.

Concluindo, gente interessante e com a mania há por todo o lado, o meu objectivo aqui é aprender… tanto em Bolama nas tabancas (aldeias) com a população como com a equipa à hora de jantar, passando pelos fins de semana com a corte em Bissau! Estou rodeada de gente com muito para ensinar. Perfeito!

Dia 4_o hospital:

Hoje, fomos ao hospital, a ideia era passar a visita à enfermaria com o médico de serviço (que é o único médico deste arquipélago).

Imaginem um edifício velho, muito sujo (mas mesmo muito), com janelas pequenas e muito escuro (porque de dia não se ligam luzes e de noite duvido que as liguem), rodeado por uma espécie de jardim por onde deambulam várias espécies animais, tais como: Cães e respectivas pulguinhas e outras menos “inhas”, porcos e seus parasitas que têm preferência pelo organismo humano e, claro, bactérias e fungos de todas as qualidades e feitios! Bom… pintem o quadro pior que conseguirem… andará longe da realidade! Haviam 5 doentes internados, todos com diagnóstico de malária, a acuidade diagnóstica aqui passa pelo: “tem febre? É malária!”, bom passa por lá e não vai muito mais além…

Quanto ao HIV, cuja prevalência na Guiné se desconhece mas crê-se elevada, hoje o médico enquanto explicava o caso de uma doente, disse entre-dentes esta doente vai fazer um teste que aqui chamamos 0007 e entre-olhares, lá se percebeu que o dito “aquele que nós sabemos”, o tal, o 0007, é o teste do HIV… Bom, se nem o médico ousa dizer (não vá o diabo tecê-las!) o que fará a população… Isto doeu-me, confesso! Foi uma visita dura! Ali a meio tive de vir cá fora respirar ar fresco, era muita coisa para encaixar ao mesmo tempo, demasiado calor, demasiada miséria, demasiada impotência, demasiada distância entre aquilo a que me habituei a chamar cuidados médicos e aquilo que estava à frente dos meus olhos. E assim foi, e assim serão os próximos meses…

Apesar das emoções fortes e do comichão dos mosquitos, estou a gostar… e muito! As pessoas da casa são porreiras e os habitantes da ilha também!

Ah, e não é que até aqui a minha fama chegou, então vou a passar na rua e as crianças gritam “Branco, Branco”, é incrível, eles sabem o meu apelido!!

um beijinho para vocês!

Os primeiros 3 dias

Estou em Bolama!

E por estas bandas, aprende-se muito e experimenta-se coisas novas todos os dias (e ainda só passaram 3), por exemplo:

  • Como viver numa casa sem água canalizada e aprender a tomar banho à caneca de água fria. Nos entretantos, fui desenvolvendo uma técnica rápida e eficiente, no fim dos 2 meses lanço um livro : “Tomar banho à caneca para totós, sem fazer estardalhaço!”.
  • Como viver sem electricidade regular, passo a explicar: a ilha não tem luz, mas a fábrica de gelo aqui do lado tem, então quando eles estão a produzir gelo ligam o gerador e nós temos luz …oh yeah! Mas, como em toda a indústria, a produção depende das flutuações da procura e o mercado do gelo pode ser muito instável… então ora há luz ora não há… Cá por casa também há um gerador que dá para desenrascar, mas não anda de boa saúde, o que faz com haja dias, como ontem, em que se janta à luz da vela e se vai para a cama às 21h30, porque ler mais de meia hora com uma lanterna pode tornar-se muito cansativo.
  • Como sobreviver a comer peixe todos os dias a todas as refeições, ele é peixe grelhado, assado, metido no empadão, a flutuar na caldeirada…. E por aí fora, haja imaginação… quem me conhece sabe que o meu gosto piscícola é moderado, diria até bastante recatado…bom, mas até agora ainda não ganhei barbatanas… a ver vamos!
  • Como viver num clima bipolar em descompensação total, isto porque está sempre a chover e sempre a fazer sol… ora cai uma chuvada de meter medo ao susto (e já agora, de assustar o medo!), ora está um bafo que não se pode sair de casa ou estar em casa!
  • Como entender o funcionamento do “mosquito africano” esse animalzinho irritante e mau, muito mau! Por aqui, essas criaturinhas nem se dignam a fazer barulho, logo não se ouvem, logo “pimbas” mordem que se fartam, e mais, quando picam não dói, o que quer dizer que os mafarricos lambuzam-se à vontade nos meus vasos sanguíneos e quando vou a ver já só resta o comichão, terrível..terríve!!E mais, os desgraçados picam por cima da roupa, custa a acreditar…mas é verdade, a mais comichosa e pruriginosa verdade!

Aqui há muito para aprender! E as “pequenas lições” escritas em cima vêm, com um tom humorístico, temperar uma experiência que de ”leve e solta” não tem nada, neste lado do mundo a injustiça é mais que muita! E, por vezes, custa a engolir…