domingo, 30 de agosto de 2015

As banananinhas de Chiang Mai

Deixámos Bangkok em direção ao Norte da Tailândia, Chiang Mai. Com uma ideia em mente desde Lisboa: descansar, sem grandes planos e itinerários, parte da aventura é mesmo isto, ir descobrindo à medida que vamos andando, sem saber os pontos de paragem, tendo apenas em mente o voo para Bombaim no fim do mês.

Chegámos no início da tarde a um “belo” quartinho virado para a estrada principal (desta vez o colchão era melhor), o chamado preço-qualidade satisfatório.
Moída de mais uma viagem e de noites mal dormidas, contudo com vontade de ver e cheirar a nova cidade e diga-se cheia de fome, lá fui eu sozinha em busca dos misteriosos encantos e lanches desta terra. Sozinha porque a nossa linda equipa tinha um membro cansado e cheio de sono… lá fui à procura de qualquer coisa que se comesse!

A ideia era virar à direita no fim da rua e ir em frente. Fui, encontrei um batido de manga e ao voltar pelo mesmo caminho, avistei uma agitação levemente compatível com um mercado! Ai, o que é que eu ia fazer para o Hotel onde a convalescença ainda jazia? Desta vez teria de virar à esquerda na oficina de motas e seguir em frente, voltar seria fácil era só fazer o caminho para trás.

Abandonei o enjoativo batido de manga e entreguei-me ao petisco nas barraquinhas de rua, que maravilha! E à minha frente o famoso mercado de Chiang Mai no seu tímido “montar a barraca”. Comprei um cacho de mini bananinhas e biscoitos secos em solidariedade e fui passeando por ali. Adoro estas confusões recheadas de fruta que nunca tinha visto, galinhas, roupas e carradas de gente de todos os tamanhos e feitios. Pensamento sim, pensamento não, imaginei-me na Índia às compras para o jantar, a regatear o preço em Tamil… Vai ser giro, uma parte de mim nasceu para isto, a outra vai ter se adaptar, como diriam os Guineenses: “Sufri”!

Volta aqui, volta ali, começou a anoitecer e pus-me a caminho de casa, orgulhosa da minha expedição a solo. Nem tive muito tempo para elogios próprios, porque rapidamente percebi que estava um bocadinho perdida, a noite trouxe a abertura de um sem número de barraquinhas e o fecho de outras lojas. De repente, a rua aumentou de tamanho e mudou de cor, tentei fazer o caminho para casa uma vez, duas vezes, três vezes, quatro e depois deixei de contar. Não tinha telemóvel porque ficou a carregar, não sabia a morada e lembrava-me mal do nome do Hotel… eu saí para ir ali ao fundo da rua e acabei num grande mercado! O consumismo dá cabo de nós!

Já meio desesperada entrei numa loja na esperança que reconhecessem o nome que eu achava que o Hotel tinha, mas não! Mais 3 voltas… e escuro muito escuro! Já totalmente desesperada entrei numa loja de óculos, as meninas tinham um ar confiável e de quem falava inglês, na verdade foram muito prestáveis até um copinho de água me deram, mas o inglês era inexistente, lá consegui que me deixassem usar a internet e finalmente cheguei ao nome e morada do hotel que afinal era pertíssimo. Fui para a porta chamar um Tuk-Tuk e enquanto estou de telemóvel alheio a mostrar o mapa ao motorista e a regatear o preço, olho para trás e aparece o meu diligente marido! Caso para dizer “encheu-se-me o coração de esperança!”. Fica o conselho avulso: “ jovens quando escolherem um marido, arranjem alguém que vos encontre quando se perdem! Melhora significativamente a convivência”.
Bom, lá fomos para casa… com as bananinhas e os erros de orientação!

Leitor imaginário, prometo que na Índia não saio de casa sem o Google maps ou um daqueles chapéus dos miúdos das colónias de férias com a morada e o número de telefone da escola. Ai a minha vida!
Restantes viajantes que por aqui vagueiam, já chega de aventuras destas amanha vamos ver os elefantes! Um abraço para todos.


sábado, 22 de agosto de 2015

Bangkok: uma sopa e uma esquina.

Continuamos em Bangkok! Estou a gostar, principalmente da novidade. Sabe-me bem olhar à volta e ver o desconhecido, as pessoas, os edifícios, as bancas de fruta, o trânsito… Gosto disto!
Claro que estou aqui e volta e meia estou na Índia numa espécie de presságio, num sonho antecipado, num agridoce de quem não sabe para o que vai, um desejo com dois pés atrás, porque um é muito pouco!
Depois olho à volta e digo para mim mesma (dada a ausência de botões, o que é uma grande chatice nestes momentos de introspeção) aproveita as férias, aproveita a anestesia da evasão, desfruta! E a Índia volta para a sua gaveta e o passeio continua!

O problema desta tentativa de organização das ansiedades e dos “nervos” foi uma esquina de Bangkok. Numa noite quente e húmida bem ao estilo asiático, com a boca ainda dormente depois de ter comido uma espécie de sopa de peixe e marisco, maravilhosa, uma explosão de sabor, espetacular, mas picante que doía, doía, ardia, e no fim ficou a dormência do nariz até ao queixo, mas valeu a pena, foi das melhores coisas que comi na vida. Após a refeição, ainda no processo de me recompor da reação inflamatória da sopa, o nariz vermelho de tanto me assoar, o estômago contente pela novidade, o intestino indeciso… Os olhos viram o que não queriam ver.

Dobrámos uma esquina numa rua escura e vimos mulheres (meninas?) sentadas em esteiras com uma tabuleta com um preço. Uma pessoa à venda! Doeu! Ardeu no coração e esqueci-me do outro ardor. O estômago contorceu-se, virou-se, rebolou, ficou a náusea. Uma náusea que subiu à memória e trouxe novamente a Índia! Afinal foi aí que tudo começou! Foi há 4 anos que fomos à Índia para estar com meninas que tinham sido vendidas para serem prostitutas. Ouvi as suas histórias, vi as marcas, vi os olhos de medo, mas também vi esperança e recomeços, dei aulas de inglês e até jogámos ao balde de água e de lá trouxe um bocadinho menos de miopia e um saco com a certeza de que o que de graça recebi deve ser posto em quem precisa.

Então depois da sopa veio esta vontade de continuar a caminhar, a crescer, para poder contribuir num mundo onde a injustiça arde e faz buraco.

A viagem continua! (Às vezes acho que peregrinação encaixa melhor!)

Leitor imaginário agora rumamos a norte… Chiang Mai espera por nós, mais uma vez sem nada marcado, mas vi um quarto por 7€ com ventoinha e água quente, não me parece nada mal!
Restantes leitores, obrigada por estarem aí, gosto imenso da companhia.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Às voltas por Bangkok !

Já fez uma semana que aterrámos em Bangkok (ou Banguecoque)!

Passou uma semana mas tenho a sensação que estou aqui há uma infinidade de tempo. Não sei porquê, desconfio que tenha que ver com a intensidade da descoberta e a quantidade de coisas insólitas que nos têm acontecido!

Chegar a Bangkok foi um custo! 27h entre aviões e escalas. Parámos em Bombaim e o meu coração míope bateu mais forte e depois encolheu-se, encolheu-se numa sístole prolongada e esmifrada, respirei fundo, ri-me de nervosa e balbuciei... São 3 meses… 3 meses inteiros! Mas desta vez foi só uma escala prolongada e uns quantos carimbos no passaporte. A Índia está para vir, isto foi só um cheirinho, um cheirinho cheio de ar condicionado e comida ocidental (não te habitues!).

Depois veio Bangkok! Mal falada e mal fadada Bangkok. Ouvi de tudo, cidade terrível e confusa, cheia de prostituição, degradante e mal cheirosa, templos e budas e pouco mais!
Estivemos 4 dias lá e vi pouco do que me contaram e muito de outras coisas. Vi uma metrópole asiática confusa mas sem exageros, com uma rede de transportes públicos fantástica, suja mas sem amontoados de lixo, pobre mas sem a decadência de Bombaim! Aí está! Como o meu termo de comparação é Bombaim, Bangkok não me pareceu mal. Imagino que comparada com Londres ou Estocolmo seja uma tragédia, mas para mim não, adorei!

Chegámos lá sem alojamento reservado mas com a morada de um que parecia decente com uma relação custo-qualidade apresentável e assim fomos nós de mochila às costas Bangkok a dentro à procura de uma caminha! (Que por sinal foi o colchão mais rijo que já me passou pelas costas). 

Depois desta verdadeira estafeta desde Lisboa acabámos a jantar em Chinatown… que maravilha! 
Comida de rua no seu mais alto nível! Milhões... Vá centenas... Bom, dezenas de bancas de coisas estranhas e desconhecidas… provámos espetadinhas, trouxinhas de camarão, sushi (este não era bom) e uma data de outros petiscos sempre picantes. Estou a ganhar uma espécie de resistência papilar ao picante, já consigo comer quase tudo! Resistente ao picante e à restante bicharada, nomeadamente, a que gosta de passear no intestino humano, isto porque temos comido de tudo… mesmo de tudo (também não há muitas opções gastronómicas com as garantidas condições higieno-sanitárias necessárias) e até agora tem sido André-1 vs.Bianca-0 no que toca a fenómenos gastrointestinais. Talvez tenha sido a mariscada em Chinatown, sentados numa mesa no meio da estrada, a ver os empregados lavarem a loiça em 2 alguidares suspeitos com mãos suspeitas, a cozinha nem vi... foi melhor assim! Mas os camarões fritos com molho de sei lá o quê estavam de comer e chorar por mais, o André que o diga!
Aventuras gastronómicas à parte, isto está a ser giro!


Leitor imaginário, amanhã falamos do outro lado de Bangkok! Restantes leitores um abraço dos grandes para quem leu até ao fim! Estou a escrever com mais de uma semana de atraso, mas prometo não vos esconder as coisas giras e insólitas desta aventura por terras Indochinesas!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Partida, " Lagarta", Fugida!

Cá vou eu.. cá vamos nós! Rumo ao Oriente!

Faltam 7h para o avião partir.. a mala ainda não está feita (em processo!), falta arrumar meia dúzia de coisas.. ideias e emoções incluídas! A mala é pequena! É sempre pequena!
Pequena para guardar a roupa, os livros (contei 10!) e o medo, medo bom e medo mau.. medo do desconhecido e medo desconhecido (para os momentos que sei que tenho medo mas não sei de quê), mas levo mais que medo! Levo "Ganas"- uma vontade visceral de aprender, de crescer, de ser relevante! Vontade de viver os sonhos.. aqueles.. (silêncio!).

E é assim que vamos... A aventura começa em Bangkok num registo de descoberta e de férias, e depois sim..o prato principal... A Índia e o hospital! A Índia, o hospital e a Bianca!

Bom.. a mala já está feita!
Leitor imaginário conto contigo para mais uma aventura, para a partida não falta muito, quanto à "lagarta" no fim da viagem contam-se as borboletas, espero que não seja preciso a "fugida"!!

Um abraço