domingo, 28 de fevereiro de 2016

Voltámos ao Sul!

A última vez que aqui escrevi tinha acabado de fechar a mala rumo ao sul!

O bilhete dizia São Paulo… o coração dizia é cedo!
É cedo para voltar a partir, malas outra vez, o desconhecido, os desconhecidos, começar de novo, é cedo! Estou aqui tão bem! Gosto desta terra! Gosto tanto destes! Mas era tempo de partir! Foi! É! Vai sendo! Assim foi…assim é (prometo que vou parar agora de brincar com os tempos verbais) e lá fomos!
À chegada o calor Paulista recebeu-nos, mas não vinha sozinho, trouxe umas amigas que nos receberam como quem acolhe a família (graças a Deus temos uma grande família!). E a experiência brasileira começou e as nossas férias também!

O litoral de São Paulo ao Rio de Janeiro foi o cenário de uma viagem inesquecível. A paisagem de cortar a respiração, a serra que se impõe e desaba no mar, a comida bem brasileira, a música que aparece à esquina, a hospitalidade dos “amigos que não eram nossos e que agora são” que nos fez sentir tão gratos e tão pouco merecedores de tantas coisas boas que vivemos nesses dias (ai Ilhabela… Ilhabela)! Foram dias de aventura e foram dias de “nós”, porque nesta correria da vida é bom parar para respirar e para lembrar que nestes 4 anos de “nós” aprendemos a ser mais próximos, mais amigos, mais companheiros. Então tivemos direito a uma grande variedade de peripécias, ele foi caminhadas no mato com lama até ao joelho e cobras na toca, passeios na floresta com um buggy que ficou sem gasolina ao anoitecer e que deu direito a voltar à boleia… é com cada uma! 

E a melhor de todas, aquela que vamos contar aos nossos netos e que eles não vão acreditar, estávamos a chegar ao Rio de Janeiro e o mapa dizia para sair na próxima saída (sem apontar culpados, mas que os há, há!) interpretámos mal e saímos antes, porém só demos conta do erro quando o piso começou a ser muito mau, cheio de lombas altíssimas, escuro, a dar para o sinistro e, de repente, olhamos para a berma e eis que está um grupo de rapazes “com ar de poucos amigos” com uma metralhadora na mão e cara de quem está a trabalhar… Nesta altura, deu-me “um nervoso miudinho”, baixei o telemóvel, desistindo do tal mapa e concordámos que sim, estávamos dentro da favela, com um carro alugado, e todos os nossos pertences na mala, incluindo as nossas vidinhas tão jovens, então “sorrir e acenar” seguimos em frente, tivemos que dar a volta, tornámos a passar por estes jovenzinhos e entrámos novamente na estrada certa rumo ao nosso destino. Nada como um passeio acidental pela favela para dar um novo gosto à vida! Também vir ao Rio e não ir à favela é como ir a Roma e não ver o papa (bom, já fui 2 vezes a Roma e nunca tive esse prazer!).

Como o que é bom acaba depressa, voltámos a São Paulo porque o meu estágio começou em fevereiro e isso sim é que é a grande aventura! Gostava de ter partilhado convosco ao longo deste mês o que foi acontecendo, mas o horário das 7h às 19h (que na realidade era até às 20h30) foi tornando esta vontade impossível. Por isso, as próximas histórias vêm com um mês de atraso, mas prometo contar-vos aquilo que mais me impressionou, incomodou e que espero que me transforme, nos transforme (?), porque se não perde a razão de ser!
Este blog é para nos lembrar de estarmos ”conscientes, orientados e colaborantes” então vamos a isso!

Leitor imaginário, tenho outra vez uma oportunidade gigante para aprender a ser médica e a ser gente, espero com sinceridade estar à altura do desafio!

Restantes amigos fiquem por aí, sintam-se em casa, gosto de vos ter por perto!