Avançar para o conteúdo principal

Chegámos!


Estou na Índia!!


Até custa a acreditar… bom, a ideia foi ganhando forma quando no avião, em vez de uma sandes, nos serviram uma espécie de crepe com caril tão picante que até ardia. Mas, a realidade, a sério e às sérias, veio quando saímos do avião e foi como se tivéssemos entrado na zona das plantas tropicais da Estufa fria em Lisboa, isto é, pusemos os pés fora do avião e veio de lá "aquele bafo" que transbordava humidade e que nos transportou para a nossa realidade – Estamos na Índia!


E, porque é na Índia que estamos, nem ficámos chateados nem fizemos reclamações, com o facto de termos demorado mais de uma hora a "resgatar" as nossas malas do tapete, isto porque o dito tapete de 10 em 10 minutos "sofria dos nervos" e parava e depois recomeçava a rolar devagarinho até que paralisava outra vez…. A acrescentar à espera, tenho de vos contar um detalhe, daqueles que só vistos, então não é que cada vez que passava uma mala no tapete toda a minha gente estendia a mão e tocava na mala… só para fazer uma festinha!


E é assim…cá estou! E por aqui continuarei nos próximos dois meses e meio, eu e o meu futuro marido e mais recente membro desta aventura que tem sido a minha vida (revelações à parte, continuemos a história!).


Escolhemos viajar para Bombaim porque queríamos conhecer melhor e se possível ajudar numa ONG cristã que trabalha com o tráfico de mulheres para a prostituição, meninas que são vendidas pela família para serem escravas-prostitutas nos bordéis de Bombaim… meninas que são escravas! Mas que podem deixar de ser! Esta ONG compra as mulheres de volta (e de repente, parece que estamos a falar de mercadoria…) e devolve-lhes a liberdade, elas são recebidas numa quinta lindíssima onde têm a oportunidade de estudar (algumas nem sabem ler), reorganizar a vida, aprender um ofício, enfim recuperar duma vida cujo sofrimento nem sequer consigo imaginar!


Mas há mais… estas mulheres têm filhos nos bordéis, e uma vez nascidos lá, também eles são propriedade "privada", por isso, há uma parte do trabalho que é dedicado a estas crianças, assim podem estudar e sonhar com uma vida melhor. Depois, temos as crianças da rua, umas fugiram de casa, outras foram abandonadas… e também estas são acolhidas e trazidas para um mundo com mais esperança! A par do trabalho com as mulheres e crianças, também há um departamento que está ligado à toxicodependência e ao alcoolismo.


Em linhas gerais, este será o nosso itinerário em terras indianas… conhecer as necessidades desta cidade interminável e cheia de gente e supri-las sempre que nos for possível, com o nosso tempo, as nossas mãos e pés, com aquilo que sabemos fazer, com o que já experimentámos na vida, com o que temos, ou melhor... com o que somos!


Vamos ficar instalados na periferia de Bombaim, na tal quinta, onde funciona a ONG. Gostava muito de conseguir aceder frequentemente à internet, de modo a partilhar com vocês estas histórias e as que estão por vir, e assim vocês também podem vir e participar desta aventura! Na verdade, a aventura já começou há muito tempo, isto é só a continuação. Ou será a continuação de uma peregrinação? Acho, que esta resposta vai ficar para o fim…


Então…até à próxima história um abraço para todos e, claro, um muito especial para o leitor imaginário!


Comentários

  1. Bianca um grande abraço cheio de alegria!! um abraço também para o André! Aproveitem cada dia!!

    ResponderEliminar
  2. Que maravilha... adorei saber destas novidades. Que corra tudo muito bem, mesmo quando eventualmente nao correr bem! ;)
    Beijos aos dois.
    (andré, nao te conheci tao bem como a Bianca, mas o facto de seres o companheiro de aventuras dela, ja diz muito! :) divirtam se!! Teresinha Mendonça

    ResponderEliminar
  3. ;) Algumas coisas que escreveste deram-me muita vontade de rir... outras... de chorar.
    Força!
    Obrigado pelo exemplo e determinação!

    ResponderEliminar
  4. Bianca e André um abraço apertado com admiração!
    Deus vos abençoe

    ResponderEliminar
  5. Deus vos abençoe nesse propósito, mts bênçãos e vitórias. Bjs Tonicha Silva

    ResponderEliminar
  6. Muito incrível!
    Gostaria de tentar alguma atividade assim quando concluir meu curso, vamos ver o que Deus me preparará até lá... Excelente o exemplo de vocês.

    Deus vos abençoe!
    Nívea (Brasil)

    ResponderEliminar
  7. Olá Bianca e André,
    A vossa ida para a India é notícia no mural do GBU-Portugal. Que a vossa partilha seja uma inspiração para muitos! Abraço.

    ResponderEliminar
  8. Obrigada pela vossa presenca por aqui!!!Confesso que ler os comentarios faz me sentir acompanhada!!beijinhos para todos!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Deu tudo certo!

A mala está semi-feita, faltam as coisas pequenas, falta fechar, despachar e partir. É bom partir para casa, mas é difícil fechar este ciclo. Atrás de mim ficam as histórias, as pessoas com quem aprendi a ser bem mais que médica, ficam as coisas que só poderia ter vivido num país virado para o sol e para os sorrisos abertos. Elas ficam e vêm comigo no coração, porque a mala já tem excesso de peso, trago o que sou agora e que não era há três meses atrás.  Aliás, essa é a beleza desta experiência, vou provavelmente esquecer-me dos critérios do síndrome hemofagocítico, mas dificilmente da médica que deu chocolate e coca-cola à menina que tinha uma sonda naso-gástrica, dos meninos da enfermaria, dos adolescentes da consulta, isto tudo vai comigo e irá para onde eu for! Escrevo isto com o peito apertado, aquele desconforto na garganta, um incómodo que não sei explicar, no fundo estou ansiosa de chegar e a rebentar de saudades e ao mesmo tempo triste por deixar isto tudo para t...

Dia_20 “A vida é dura para quem é mole…”

O dia começou soalheiro numa tabanca chamada “Madina” e a D. Domingas foi ao mato buscar um legume para o almoço, nada de especial até aqui, a vida corria sem percalços, um dia normal na vida de uma mulher Guineense! Mas, e há sempre um mas… Há 4 espécies de cobras venenosas nesta região! Há muitas cobras na época das chuvas! Há mato! Há azar na vida… Há um pé que é mordido por uma cobra! Pede-se ajuda… liga-se para a AMI! Vamos a correr. A viagem de jipe parece interminável, tentamos definir um plano de acção para quando chegarmos ao destino não perdermos tempo. Chegamos a Madina, toda a aldeia está em alvoroço, há olhos cheios de esperança, talvez “os brancos” tragam a solução… A senhora vem meio inconsciente, é trazida por 4 homens até nós, improvisa-se uma sala de cuidados intensivos na parte de trás do jipe. Há gente por todo o lado! Avaliam-se os sinais vitais… o pulso mal se sente! Entrou em choque! Ouvimos o batimento cardíaco ir embora… e levar com ele a esperança de ter sid...