Passaram 63 dias… tantos como os que passei na Guiné… E só agora é que me sinto preparada para escrever sobre os que passaram e os que passam, sobre o “pós Guiné” e sobre os pós que me ficaram na alma, nos olhos, nas unhas… Desculpem-me se vos desiludir, é possível que o que vão ver aqui escrito não corresponda às vossas expectativas, até porque também não correspondeu às minhas… Imaginei o regresso a casa, várias vezes, tentei contabilizar as saudades que teria da Guiné, das pessoas, do trabalho, fiz previsões sobre como me sentiria, como seria estar cá e não lá, depois de um período que me pareceu gigante… E finalmente cheguei a Lisboa! Não chorei! Não quis voltar para trás! Adorei a viagem para casa, adorei o facto de haver alcatrão na estrada, delirei com o elevador do meu prédio, com o interruptor da luz, com a torneira cheia de água, com o copo de água fresquinha que bebi sem ter de lhe juntar lixívia, com a comida, com o pequeno-almoço fantástico que estava em cima da mesa…...