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Os corredores da pediatria

Esta semana andei pela infeciologia pediátrica. Já não via crianças na consulta ou na enfermaria há muito tempo, resultado: andei a maior parte do tempo de coração encolhido, espremido na tentativa de manter os olhos abertos e acabar com a visão em túnel. As crianças aqui são mais pequenas, enfezadas, a tisica, o arroz sem mais nada, a lombriga e o resto dos parasitas intestinais, o muito que correm, tudo isto dá em crianças magras, baixinhas, olhos encovados, imunidade frágil, portadoras de doenças que nunca me tinham passado pelos olhos, quanto mais pelas mãos. A semana foi assim, cheia de coisas novas, umas mais duras do que outras, apimentada de sorrisos curiosos e bebés magrinhos! Lembro-me de duas meninas na consulta, irmãs, muito parecidas, olhei para elas e pensei devem ter 6-5 anos, elétricas, não pararam quietas, tantas perguntas num inglês simples que fui entendendo com ajuda, interessadíssimas em conhecer-me, em tocar-me e sem vergonha até um beijo na face me ro...

A courgette tem uma prima na Índia!

  São 8h da manhã. O silêncio inunda a sala, lá no fundo ouve-se o barulho da ventoinha e cá no fundo é difícil não ouvir a confusão dos pensamentos. Aconteceu tanto nestes quase 2 meses que será difícil encaixotar, fazer malas e partir, desconfio que depois desta experiência haverão coisas que nunca mais irão embora, ficarão… farão morada! Espero que sim. Então enquanto espero pelo início da consulta, oiço o meu fundo, observo os dias que passaram e tento passar para este caderno laranja o que é passível de partilha. Passaram duas semanas desde o último texto, cheias, recheadas de aventuras e desejo de aventuranças. No outro dia, dei comigo num jantar do serviço em casa da chefe, ofereci-me para preparar um prato, mostrar a gastronomia portuguesa e, finalmente, comer o que gosto! Mas, como tudo na Índia, foi extremamente difícil! Primeiro, tinha de ser vegetariano, dadas as especificidades alimentares da religião, depois tinha de encontrar os ingredientes. Acabei por ...

As montanhas, a mota, e o … do elefante!

Alugámos uma mota! Yeah! Com o nosso próprio meio de transporte deixamos de estar à mercê da indústria do turismo local com as suas excursões e pacotes sensacionais, assim podemos fazer o nosso itinerário, poupar dinheiro e chatice. Queríamos ver os elefantes, os tigres, as quedas de água da imponente “rainforest” de Chiang Mai… queríamos ver tudo e em poucos dias, porque as férias são curtas e a Tailândia é grande! Capacetes apostos lá fomos montanha a dentro! Lindo. Exuberante. A natureza explodiu ali e não contou a ninguém. A viagem de mota foi acompanhada de saltos e solavancos no meio da expressão repetida em desabafo: “Ai que sorte! Ainda bem que viemos!” E os elefantes? Encontrámos uma placa com um elefante pintado, fomos lá. Afinal não era bem um campo de elefantes, era na verdade, verdadinha, um sítio de reciclagem de resíduos elefantídios do foro intestinal, portanto, reciclavam cocó! Cocó de elefante! Verdadinha, já tinha dito! As criaturas (de mente verde e ec...

Bangkok: uma sopa e uma esquina.

Continuamos em Bangkok! Estou a gostar, principalmente da novidade. Sabe-me bem olhar à volta e ver o desconhecido, as pessoas, os edifícios, as bancas de fruta, o trânsito… Gosto disto! Claro que estou aqui e volta e meia estou na Índia numa espécie de presságio, num sonho antecipado, num agridoce de quem não sabe para o que vai, um desejo com dois pés atrás, porque um é muito pouco! Depois olho à volta e digo para mim mesma (dada a ausência de botões, o que é uma grande chatice nestes momentos de introspeção) aproveita as férias, aproveita a anestesia da evasão, desfruta! E a Índia volta para a sua gaveta e o passeio continua! O problema desta tentativa de organização das ansiedades e dos “nervos” foi uma esquina de Bangkok. Numa noite quente e húmida bem ao estilo asiático, com a boca ainda dormente depois de ter comido uma espécie de sopa de peixe e marisco, maravilhosa, uma explosão de sabor, espetacular, mas picante que doía, doía, ardia, e no fim ficou a dormência do n...

Depois de uma “crise de ausência” …

Voltei! E começo com a frase que mais me fez rir hoje… Contexto socioculturaleconómicotemporalpolíticohormonal…entre outros: no meio de um silêncio já prolongado,alguém com quem mantenho uma relação próxima pergunta: “Olha, os Óscares são no dia 7, não é??! “ - altura em que eu respiro, reflicto se ouvi bem, convenço-me que sim e respondo com seriedade: ”Pah, não sei o meu agente ainda não me mandou nenhum convite!”, e depois claro…escangalho-me a rir (adoro esta expressão, aliás a versatilidade da língua portuguesa é sempre revigorante!). Bom… isto a propósito de quê? Perguntam vocês! Pois… podia ter escrito só pela piada hilariante que produzi em escassos segundos (lol) mas não… Ando com vontade de escrever sobre os Óscares! (Não, não mesmo! Desculpem lá, sei que não é politicamente correcto…mas eu até acho que nunca vi aquilo até ao fim!). Continuando, a vontade é de escrever sobre o fenómeno “a janela do vizinho”… passo a explicar, ultimamente, anda tudo maluco com as redes sociai...