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Mensagens

3 Semanas depois…

Os dias aqui têm um ritmo diferente, a primeira semana durou uma eternidade. Os dias arrastaram-se e trouxeram com eles uma espécie de avalanche emocional com uma violência que não estava à espera. No entanto, apesar da tempestade e de umas quantas molhas (umas mais literais do que outras), a segunda semana começou e com ela germinou a rotina e alguma previsibilidade que trouxe um cheiro, muito suave ainda, de segurança. E foi no meio da confusão, cada vez mais organizada, que fui decorando os nomes das pessoas (tarefa demasiado difícil, por vezes), fui também aprendendo duas ou três perguntas em Hindi, graças às minhas “tias” e à sua vontade de me verem a falar com e como elas, descobri onde são os sítios principais, aprendi um bocadinho da complexa organização social desta comunidade e decorei que ao domingo é dia de comer frango (durante a semana a ementa é vegetariana). E sem dar por ela, a terceira semana apareceu e acabou, e agora já conheço as caras, mas a luta com os nomes cont...

A aventura continua… por terras indianas

Os primeiros dias foram cheios de adaptações umas mais dolorosas do que outras,mas todas cheias de um encanto que não estava à espera de encontrar… um dia destes explico-vos isto melhor! Começámos por perceber como é que o centro funciona, que actividades é que existem, quem é que é o responsável pelos vários departamentos e depois veio a pergunta essencial: “Então, onde é que podemos ajudar?” e a resposta veio rápida e certeira e num instante transformou- se em várias actividades e responsabilidades, afinal não viemos passear… Graças a Deus! O André ficou com os rapazes que estão no programa de recuperação da toxicodependência, vai estar perto deles, vai aconselhá-los, e vai ensinar-lhes algumas competências pessoais e sociais usando princípios bíblicos (as famosas aulas do Desafio Jovem). Ah, e acrescentar a isto, ele também anda a pensar em construir um forno, para que se possa fazer pão aqui no centro e assim poupar dinheiro. Eu, por outro lado, não fiquei com nenhuma área específi...

Dia 1_Em terras indianas…

O primeiro dia foi uma aventura em vários sentidos, chegámos ao aeroporto de Bombaim lá pelas 2h da manhã, mais mala, menos mala, mais um tapete preguiçoso (esta já vos contei), às 3h45 estávamos dentro do jipe que nos veio buscar. E aqui começa o filme, um filme algures no meio das estradas de Bombaim onde não há lei e se houvesse já tinha levado uma data de mocadas, porque aqui, é um salve-se quem tiver o carro maior e mais rijo. Não há cá uma faixa para mim e outra para ti, ou o conceito do "contra-mão", nada disso, isto para a frente é que é caminho, se a estrada que vai no sentido contrário ao meu está livre, é fácil, passo para lá e quem vier depois que se desvie. Isto tudo com a banda sonora das buzinas dos carros, eles não apitam quando se zangam, eles apitam é para avisar que estão na estrada! E eu que sempre achei que os Portugueses tinham demasiada confiança a conduzir… Opah que meninos! Fizemos 1h45 de caminho até ao centro onde vamos ficar, uns quantos buracos, ...

Chegámos!

Estou na Índia!! Até custa a acreditar… bom, a ideia foi ganhando forma quando no avião, em vez de uma sandes, nos serviram uma espécie de crepe com caril tão picante que até ardia. Mas, a realidade, a sério e às sérias, veio quando saímos do avião e foi como se tivéssemos entrado na zona das plantas tropicais da Estufa fria em Lisboa, isto é, pusemos os pés fora do avião e veio de lá "aquele bafo" que transbordava humidade e que nos transportou para a nossa realidade – Estamos na Índia! E, porque é na Índia que estamos, nem ficámos chateados nem fizemos reclamações, com o facto de termos demorado mais de uma hora a "resgatar" as nossas malas do tapete, isto porque o dito tapete de 10 em 10 minutos "sofria dos nervos" e parava e depois recomeçava a rolar devagarinho até que paralisava outra vez…. A acrescentar à espera, tenho de vos contar um detalhe, daqueles que só vistos, então não é que cada vez que passava uma mala no tapete toda a minha gente estend...

"Panaceias & copinhos de água"

“Panaceia” - esta palavra não me sai da cabeça, há dias que anda aos gritos dentro de mim, oiço-a por todo o lado, nos meus sonhos, nos meus esforços, na minha rotina e quando abro a janela do meu mundo, ela está do lado de fora a dizer-me : - “Adeus”- com um sorriso rasgado. Se for ao cinema ela é a actriz principal, se prestar atenção às letras das canções é sobre ela que cantam, se perguntar ao senhor importante qual a razão das suas horas extraordinárias ele vai dizer em voz off : - “panaceia”, e se interrogar a senhora que limpa as escadas do meu prédio ela vai dizer que: - ” A razão, oh menina, a razão tem um nome – panaceia! E afinal o que é que significa esta palavra? Bom, no grego e para os gregos ela representa “ a cura de todos os males”, uma espécie de milagre, de super tónico, um espinafre ultra poderoso! Mas aqui para nós (e já que ninguém nos ouve) ela terá outras irradiações, comecemos pelo cinema, em Hollywood panaceia quer dizer Romance, mas uma coisa de qua...

Guiné: “O pós e o pó”

Passaram 63 dias… tantos como os que passei na Guiné… E só agora é que me sinto preparada para escrever sobre os que passaram e os que passam, sobre o “pós Guiné” e sobre os pós que me ficaram na alma, nos olhos, nas unhas… Desculpem-me se vos desiludir, é possível que o que vão ver aqui escrito não corresponda às vossas expectativas, até porque também não correspondeu às minhas… Imaginei o regresso a casa, várias vezes, tentei contabilizar as saudades que teria da Guiné, das pessoas, do trabalho, fiz previsões sobre como me sentiria, como seria estar cá e não lá, depois de um período que me pareceu gigante… E finalmente cheguei a Lisboa! Não chorei! Não quis voltar para trás! Adorei a viagem para casa, adorei o facto de haver alcatrão na estrada, delirei com o elevador do meu prédio, com o interruptor da luz, com a torneira cheia de água, com o copo de água fresquinha que bebi sem ter de lhe juntar lixívia, com a comida, com o pequeno-almoço fantástico que estava em cima da mesa…...

Dia 64_ “O meu último dia na Guiné!”

Daqui a umas horas o avião partirá com destino a Lisboa. E assim se fecha um capítulo desta viagem, sim porque faço parte daquele grupo de pessoas que teima em achar que está sempre de viagem…ou de passagem, como gostarem mais! Rumo… rumo a um mundo melhor! Foram dois meses cheios de aventuras, trouxe uma mala cheia de sonhos e agora levo duas…cheias, a transbordar, com sonhos, com experiências, com amigos e com umas quantas prendas! Mas, sobretudo, com vontade de continuar esta “epopeia” como um dos leitores lhe chamou, porque estar consciente, orientada e colaborante não se prende com a latitude, mas com a atitude (olha o slogan…!)! O que vale é que a balança do aeroporto de Bissau está avariada e assim não há excesso de peso para ninguém… ai Guiné, Guiné! Mas antes de fechar a mala, há que agradecer a todos vocês que estiveram desse lado e que me fizeram sentir que não estava sozinha, a vossa companhia apareceu de várias formas, uns leram as minhas histórias, outros escreveram comen...